Com certeza é um assunto que todos vivem com intensidades variáveis e pouco se faz para tentar mudar isso. Desde a tenra infância já enfrentamos as terríveis agulhadas para nos protegermos de inúmeras doenças, e a cada dia que passa as vacinas estão aumentando. Muitas pessoas subestimam a memória das crianças, mas desde a fase de lactente, o ser humano já armazena sensações ruins e isso pode trazer prejuízos psicológicos em longo prazo.

Para se ter ideia existem estudos que avaliam as alterações orgânicas durante a aplicação da injeção e os seus efeitos de curto prazo, e descobriu-se que o resultado do stress e choro intenso inclui um atraso na cicatrização de feridas, alterações nas funções dos sistemas imune e endócrino (alterações bioquímicas, aumento do cortisol e libertação de catecolaminas, aumento de glucagon, hormônio do crescimento, aldosterona, renina, e hormônios antidiuréticos, e diminuiu secreção de insulina), desencadeando alterações fisiológicas, como apneia, bradicardia, taquicardia, alterações da cor da pele, hipertensão, sudorese, aumento taxa de respiração e tonicidade muscular e aumento da pressão intracraniana.

A dor intensa e de difícil controle experimentada durante a vida precoce tem efeitos secundários negativos e de longa duração, tais como o pânico, e tais experiências afetam negativamente o desenvolvimento do sistema nervoso central. Estudos realizados nos EUA e Canadá indicaram que 24-40% dos pais preocupam-se com a dor associada à vacinação nas crianças, 85% acreditam que os profissionais da saúde têm responsabilidade em tornar a vacina menos dolorida e 95% gostaria de aprender como reduzir a dor em seus filhos. Ignorar a dor no momento da injeção pode ser o fator responsável por atitudes e comportamentos negativos e pode levar a atraso ou até recusa em vacinação futura. Isso resulta em queda nas coberturas vacinais, colocando em risco o paciente e a população toda de doenças imuno previníveis.

            Pensando nisso a WHO (World Health Association) criou no final de 2015 um manual de orientações para todos os serviços que realizam imunização no mundo, divindo-o em medidas gerais e medidas específicas. Contém medidas simples, efetivas, baixo custo e culturalmente aceitáveis. São elas:

  • Gerais: são recomendadas para todos os programas de imunização em todos os países e para todos os grupos:

– Profissional de Saúde executando a vacina deve ser calmo, colaborativo e bem informado; devem usar palavras neutras (por exemplo, “lá vou eu” ao invés de “aqui vai à picada”) e evitar linguagens que aumentam a ansiedade, promove desconfiança ou falsamente tranquilizadora e desonesta (“vai doer só por um segundo”).

– Posição apropriada para o paciente deve ser assegurada de acordo com a idade, se houver história anterior de desmaio, deve ser realizada deitado.

– Nenhuma aspiração deve ser feita durante injeções intramusculares, pois aumentam o tempo de contato da agulha e acaba fazendo movimentos laterais com ela.

-Quando são feitas múltiplas vacinas, deve-se administrar em ordem crescente de dor.

            2) Específico por idade:

– Bebês e crianças: os cuidadores devem estar presentes no momento e após o procedimento. Os menores de 3 anos devem ser segurados por acompanhantes e maiores devem sentar-se para aliviar medo e stress de preferência no colo. Se culturalmente permitido, amamentação deve ser realizada um pouco antes e durante a injeção. Se houver vacinas orais junto, deve-se fazê-las primeiro e logo após iniciar amamentação para acompanhar a injetável. Crianças não amamentadas deve-se realizar a glicose oral alguns minutos antes e durante.

            – Para crianças menores de 6 anos, deve se oferecer distrações para tirar a atenção da dor com coisas mais prazerosas (brinquedos, vídeos, música ou conversas).

-Para adolescentes: nenhuma distração é efetiva, devendo cuidar para não constrange-lo diante de adultos.

            -Para adultos: distrações como respiração de relaxamento, tossir ou segurar a respiração podem ajudar.

            Além disso, existem outros métodos não farmacológicos e farmacológicos que podem ser usados:

  • Farmacológicos: Anestésicos tópicos ou uso de analgésicos antes ou logo após a vacina. Deve-se tomar cuidado com as vacinas pneumocócicas e compostas com DPT (difteria, tétano e Coqueluche) porque diminuem o efeito quando realizado analgésico antes.
  • Não farmacológicos: Frio, massagem e vibração. Não deve ser massageado o local após a vacinação, somente antes. A vibração é um método muito utilizado atualmente para aplicação do Botox, seu estímulo compete com o estímulo da dor, reduzindo drasticamente a dor da agulhada.

            Com tantas opções e estudos vemos que é possível sim, com pequenas atitudes oferecer ao paciente uma imunização sem sofrimento.

A Vaccine Care preocupa-se com isso e está buscando inovações e técnicas para seus pacientes tirarem o estigma de que vacina é tortura.

Lembre-se de quando estiver acompanhando uma criança não ameaça-la com frases do tipo: “para de mexer que o tio vai te dar uma injeção” ou “continua fazendo arte que o tio do jaleco vai te pegar”, procure não apertá-la em excessivo retraindo seu corpo para que ela não se sinta em situação de perigo, pois suas sensações podem influenciá-la. Imagine-se como a criança: “se meu cuidador está com essa “cara” e me apertando desse jeito? Lá vem uma bruxa ou um monstro atrás de mim!”.

Texto:

 

Dra-Heleniza
 

 

Dra. Heleniza Ticianel Paccola Damico – CRM/MT: 6241

Dra. Heleniza é pediatra e franqueada Vaccine Care da Unidade de Cuiabá que fica no Shopping Goiabeiras – Alameda de Serviços

Tel.: (65)3641-0023

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